Europa

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Introdução

A partir da metade do século passado, a Europa tornou-se destino para imigrantes de todo o mundo. Primeiro estes eram oriundos de um número reduzido de países da própria Europa como foi o caso dos portugueses e espanhóis. A estes, juntaram-se os magrebianos do norte da África além de trabalhadores convidados através de programas especiais de recrutamento de mão-de-obra (guest worker programs) como os turcos na Alemanha. Mais recentemente, a diversidade dos países de origem assim como o número de imigrantes aumentaram significativamente. Países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia passaram de "exportadores" de mão-de-obra para "importadores" em larga escala. Hoje por exemplo, vários países europeus, grandes e pequenos, tem um estoque de imigrantes maior que 10 por cento das suas populações totais - Luxemburgo (37,4%), Áustria (15,1%), Suécia (12,4%), Alemanha (12,3%), Espanha (11,1%), e França (10,7%).

Houveram também mudanças na origem dos fluxos migratórios incluíndo agora imigrantes dos países do Leste europeu e de diversos países da América Latina incluindo o Brasil. A emigração brasileira para a Europa deve-se, em parte, a fatores históricos e culturais decorrentes do próprio processo migratório brasileiro que até pouco tempo recebia migrantes provenientes de Portugal, Espanha, Itália e Alemanha.

Quanto Somos e Onde Vivemos

A emigração brasileira para a Europa intensificou-se nos últimos 20 anos. O primeiro fluxo importante, por razões históricas e culturais, diz respeito a entrada de brasileiros em Portugal. Este
Populacao Brasileria na Europa - 2009.jpg
fluxo consolidou-se durante a década de 90 e mateve-se relativamente estável até o final da década de 2000. No entanto, o Reino Unido com uma população de 180.000 brasileiros (22,1%), representa o maior contingente de imigrantes brasileiros na Europa. Portugal com 137.600 (16,9%) posiciona-se em segundo lugar, seguido da Espanha com 125,000 (15,3%), e Alemanha com 89,000 (10,9%).

Em linhas gerais, de acordo com o documento Perfil Migratório do Brasil citado anteriormente, com exceção dos fluxos mais antigos para Portugal, a população brasileira imigrante na Europa é composta basicamente por jovens adultos entre 20 e 40 anos, de ambos os sexos, com escolaridade elevada (em média, mais de 50% dos brasileiros em todos os países europeus têm pelo menos 13 anos de estudo). Com exceção de Portugal, a maior parte desta migração não se constitui de famílias, e apresenta elevado índice de migrantes em situação irregular.

Populacao Brasileira Europa - 2009 Bar.jpg

Pode-se ressaltar ainda que fatores históricos e culturais influenciam estes deslocamentos para a Europa com os emigrantes brasileiros de hoje percorrendo o caminho inverso de imigrantes portugueses, espanhóis, alemães e italianos do passado. Aliado a estes fatores históricos, duas outras razões atraem os brasileiros para a Europa: o crescimento da economia com a formacão da União Européia e a relativa flexibilidade das políticas migratórias vigentes até pouco tempo.

No Reino Unido a maioria dos brasileiros reside em Londres. Em Portugal concentram-se em Lisboa e seus arredores. Na Espanha, em Madri e Barcelona e na Alemanha, aglomeram-se na grande Berlin.


A maioria dos brasileiros que emigram para a Europa, têm um perfil similar a este dos brasileiros que emigram para os Estados Unidos. A diferença está na composição de gênero. Mais mulheres emigram para a Europa do que para os Estados Unidos.[1] Outra diferença tem a ver com fatores históricos e culturais com os brasileiros emigrantes seguindo o caminho inverso de imigrantes portugueses, espanhóis, alemães, japoneses e italianos do passado.[2]

Referências

  1. Patarra, Neide. "Migrações Internacionais de e para o Brasil Contemporâneo: Volumes, Fluxos, Significados e Políticas," in São Paulo em Perspectiva, v. 19, n. 3, julho-setembro, 2005.
  2. Ibidem.

Referências Bibliográficas

Bógus, Lucia Maria. 1995. Migrantes Brasileiros na Europa Ocidental: Uma Abordagem Preliminar. In Patarra, Neide (org). Emigração e Imigração Internacionais no Brasil Contemporâneo. São Paulo: FNUAP.

Carvalho, Flávio e Flávio Souza. 2008. "Qual Migração Brasil - Espanha?" Texto enviado ao Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios - CSEM em Julho de 2008. http://www.csem.or.br/artigos_port_artigos08.html

Fernades, Duval Magalhães e José Irineu Rangel Rigotti (2008). Os Brasileiros na Europa: notas Introdutórias. texto apresentado no Seminário "Brasileiros no Mundo," realizado em 17 e 18 de julho de 2008, no Palácio do Itamarati, Rio de Janeiro.

DigaaiDATAHUB & DigaaiDATAVERSE

O estudo dos processos migratórios internacionais encontra bastante barreiras metodológicas. Além do movimento de ida e vinda que é de natureza fluída, há o problema da imigração não autorizada que toma formas diversas tais como a entrada clandestina, o "overstaying," e a "invisibilidade."

O Censo Brasileiro[1] recorda os fluxos internacionais baseado na identificação de onde os indivíduos estavam cinco anos antes da chegada ao Brasil. Ele registra também, o lugar de residência de todos os brasileiros residentes no país alem das características sócio-economicas destes quando da execução do censo.

O registro de brasileiros no exterior é feito com base num levantamento do Ministério das Relações Exteriores do Brasil[2] junto aos consulados e embaixadas. Este levantamento teve inicio em 1996 e é atualizado frequentemente. Este levantamentos não são no entanto estatísticas públicas mas sim um levantamento administrativo interno desta repartições.

Por outro lado, os registros oficiais dos países de destino são precários pelas razões citadas acima. Nos Estados Unidos, o Departament of Homeland Security,[3] publica informações sobre os residentes permanentes, naturalizações, e admissões de imigrantes. Estes dados são, no entanto, agregados por países e não há detalhe sobre as características sócio-economicas por tipo de visto. Além desta fonte de dados, os Censos americano e o American Community Survey (ACS) registram dados demográficos sobre as populações imigrantes. A União Européia[4] por outro lado, publica dados agregados sobre imigrantes. Por fim, o Ministério da Justiça do Japão[5] publica dados agregados sobre o número de indivíduos que entram e saem do país. Dados referentes aos imigrantes brasileiros incluem somente algumas variáveis demográficas.

Por todas estas razões, as bases de dados oficiais são precárias. No entanto, elas são as únicas fontes existentes e devem ser utilizadas com discrição. O DigaaiDATAHUB e o DigaaiDATAVERSE são ferramentas do DigaaiWiki que põem a disposição dos seus colaboradores e usuários, dados numéricos ou textuais existentes sobre a migração brasileira no mundo. Cada sessão contem a base de dados referente aos tópicos discutidos nela.


Para mais informações, dados, mapas e bibliografia referentes a diáspora brasileira, click nos links abaixo:


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